Mérito traiçoeiro
Há líderes caminhando constantemente com gigantescas bolas de ferro amarradas a seus pés. São bloqueios psicológicos que os impedem de agir como verdadeiros líderes – pois, no fundo, não se consideram dignos.
Talvez os pais tenham a dito a eles que nunca serian bons o suficiente, que era um burro. Ou professores, ex-chefes, amigos e namoradas psicóticas tenham os humilhado. De alguma maneira, se instalou em suas mentes a mensagem de que ele não tem mérito para realmente estar onde está.
O resultado disso se transpõe por auto-enganos e auto-sabotagens. Na prática, é um gestor que falha sem entender porque. Que sente-se capaz de ir mais longe enquanto profissional, mas simplesmente “não consegue”. Esse á sensação de eterno demérito atuando como âncora.
Para lidar com isso, deve procurar terapia, treinamentos da mente e demais caminhos.
Uma vez que a questão do demérito esteja resolvida, outra armadilha pode surgir. O mérito traiçoeiro.
A sensação de que ele de fato merece mais pois… trabalhou mais do que os outros/se sacrificou/é mais talentoso.
Ele se permite recompensas após o sacrifício. Conta para si mesmo um mito de líder e mártir. Associa as recompensas do mérito a sacrifícios e sofrimentos.
Pode inclusive se tornar um tirano moral, exigindo de todos à sua volta desempenho de igual sacrifício. Porém, ele sofre em busca do mérito enquanto mártir. Ele deseja ir mais longe do que os outros, pois só assim vai sentir real mérito em sua posição.
Ele associa o trabalho absurdamente exaustivo a sua sensação de mérito e competência.
Para ele, não há mais mérito sem o seu próprio sofrimento e a imposição desse trabalho exaustivo como parâmetro de qualidade para os demais colaboradores de sua organização.
A exaustão e o sacrifício em busca do mérito se tornam parte silenciosa da cultura da empresa.
PERIGO.
Todos os funcionários se tornam parte de uma narrativa excruciante. Pois ali não há percepção de eficiência sem sacrifício.
O trabalho, enquanto local de exaustão, deixa de ser um espaço onde desejamos estar. Se torna um espaço onde PRECISAMOS estar. Para sermos pagos e para alcançar o mérito inalcançável que irá finalmente validar nossa jornada de sofrimento enquanto profissionais.